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23 novembro 2011

Our spring will come

Um dia todos os dias vão ser dias e o presente o tempo que ansiaremos recordar. Tudo o que falha cresce de alguma forma, dentro de nós, como um correcto de um dia futuro. A procura de algo melhor é o que nos acompanha, mas de forma alguma pode ser aquilo que nos separa do agora. Estar de mãos dadas com o futuro não é sinónimo de estar de costas voltadas ao presente.
É isto que tenho que manter presente na minha mente. Que o agora importa por ser agora e por mais razão nenhuma. Um dia vai deixar marca porque aconteceu. Nem que seja para recordar um corpo qualquer sem alma que me cruzou.
A única dúvida que resta, a maior, e que leva a minha cabeça à auto-mutilação, é se o futuro vai ser como eu o penso, e se vou pensar neste passado como o passado nostálgico que me levou até onde irei estar... Ou se vou estar num sítio tão diferente do imaginado que nem me vou lembrar do que julgava ir ser.
Respostas? Estão naquele tempo que eu anseio alcançar, escondido por detrás desta bruma que eu sinto impossível de ultrapassar. Rimei, absolutamente por acaso. Aliás por acaso tem sido provavelmente a única razão porque me encontro a viver.

o ser humano embarca sempre numa eterna busca pela felicidade.
enquanto ela se esconde no tempo a que chamamos futuro, que vem sempre depois daquele que estamos a viver.

14 abril 2011

Fly me to the Moon

Lembro-me de ontem estar na varanda e não via a lua. Tinha o céu coberto de estrelas por cima de mim, mas não tinha a lua. A lua, e eu só procurava a lua. Porquê? Não reparei, nem por um momento, que eram aquelas estrelas que estavam do meu lado. Que me iluminavam a noite escura, uma suave luz de presença só para me aconchegar. Testemunhas do meu deitar tardio e das minhas conversas noctívagas, que alegravam a minha noite na ausência de um luar.
É sempre assim não é? Somos sempre ingratos. Temos os olhos fechados a tudo o resto, só vemos realmente aquilo que queremos ver. E eu criei esse pressuposto de que a lua era o importante a ver no céu à noite, esqueci-me das estrelas, do manto negro, da bruma que poderia também estar presente, da eternidade azul daquele céu. Esqueci-me disso tudo. Por causa de um pedaço de coisa, por causa de uma mancha branca, uma lua, que nem se dignou a aparecer para mim.
A espera compensa? Eu podia esperar eternamente, podia ficar ali, a ver o sol aparecer, e ela nem sequer me teria vindo dizer um adeus. Talvez estivesse como eu, focada num só objectivo, e deixando tudo o resto de lado.
Talvez sejamos os dois cúmplices de uma espera que não chega, de uma procura que não se mostra. Estávamos ali os dois, apenas à procura do que queríamos ver, fechados nos nossos casulos, sem sentir nada do que nos rodeava. E assim, ela não me viu, porque estava à procura de outra coisa. E eu não vi as estrelas, porque estava à procura da lua. E eu não reparei em qualquer coisa, ali naquele habitat nocturno, que - quem sabe - me considera a sua lua.
É assim que andamos todos. É assim que anda o mundo. Cego.
Cego para ver aquilo que deseja ter, quando no fundo, deseja mais aquilo que não se permite ver.

25 dezembro 2010

Baby, it's cold Outside

É capaz de estar frio lá fora, mas estou pouco preocupado com o que quer que seja que o meu corpo possa sentir. Foram demasiados os anos que passei assim, num aquecimento físico para tentar compensar o termóstato mental avariado. As constipações resolvem-se com lenços, as gripes com um dia de cama e comprimidos, por isso, vou lá fora. Vou lá fora só porque me apetece ir lá fora, e quem sou eu para me castrar a mim mesmo? Quem é o meu lado social para castrar o meu lado humano?
ninguém.
Por isso, sim, eu vou lá fora. Esteja neve, granizo, chuva, vento ou sol. Eu vou. Porque independentemente do frio que faça eu vou estar quente. Como alguém que se aquece com a sua própria força. Como um comboio a carvão que à terceira viagem já não precisa de combustível. Aqueço-me só por ter cumprido uma vontade estúpida.
Gostamos tanto de menosprezar vontades estúpidas só para nos sentirmos inteligentes que deixamos de nos proporcionar aqueles prazeres quase invisíveis, tornando-nos ridículos. Somos humanos, temos vontades humanas. Mesmo sem estar grávidos, temos desejos. Momentâneos, podem até parecer ridículos, mas desejos. Às vezes tão simples de cumprir como vestir o roupão e ir à varanda. Hoje fui. O mundo não parou, não começou a girar ao contrário, o meu coração também ainda bate da mesma maneira. O que mudou foi só uma coisa: senti um segundo de prazer quando abri a varanda. Um segundo de um prazer que - por ser desprezado - podia nunca ter acontecido. Claro que agora não respiro bem pelo nariz, mas o ar que me enche, vem com mais respeito por mim. Porque eu fiz algo completamente desnecessário, só porque queria.
Não percebo porque é que o físico é sempre mais valorizado. Os bens essenciais são aqueles que nos protegem o corpo da morte. Aqueles que mantêm o nosso corpo vivo. Então e a mente? Não é importante mantê-la viva também? Deixá-la com vontade para viver? De que é que vale vivermos corporalmente se a nossa alma está morta? Não é viver. É arrastar. E a vida não é para ser arrastada. A vida é para ser vivida. E viver é criar situações, interagir.
Quantas experiências de vida posso eu retirar se ficar sentado no sofá, fechado em casa, porque está frio? E se for lá fora? Posso ir contra alguém, posso comentar que está frio, posso ficar doente e conhecer um médico. A vida cresce quando nós a vivemos. Quando pegamos nela, as coisas começam a acontecer. E do nada, de um desejo ridículo, nasce um propósito. E não é isso que todos procuramos? uma razão de viver?
Por isso sim. Pode estar um tornado lá fora, pode nevar, chover granizo e estar a trovejar. Eu vou lá fora. Porque o viver preso é um castigo, principalmente quando a cela somos nós próprios. E ao contrário do que todos queremos acreditar, a liberdade é um estado de espírito e não um regime político. Por isso eu vou lá fora. Porque no meu peito, eu já lá estou.
e hei-de estar.

19 novembro 2010

Thoughts of a Dying Atheist

Pensei que não precisava de mais do que o que tenho, mas sinto falta daquilo que nunca tive.
tenho a pele pálida e a alma cheia do vazio das não-vivências
tenho os cabelos sujos, cobertos dos pecados que nunca cometi.
A água magoa-me, enquanto lava o meu ser das memórias dolorosas que eu lembro nunca terem acontecido.
Tenho na cara um sorriso insensato, um sorriso falso e inconsciente que não controlo. Os dentes, com uma deplorável vontade de aparecer, mostram-se - mais brancos que nunca. - mentirosos! Não são sujos. Mas não são como se mostram. São assim assim. Com a brancura de quem nunca foi puro, mas que nunca sequer ousou sujar-se.
Ilusões de óptica. Óptica Iludida. Óptica de ilusões.

Agora percebo como a vida é efémera
e como o mundo é utópico.
Como os dias são anos e os anos são vidas. Como já ninguém perdoa um grão de areia que nos faz piscar o olho direito. ou o esquerdo. Não interessa.
Já ninguém perdoa um piscar, ninguém perdoa um segundo. Ninguém nos perdoa. e num dia - que é um ano - a nossa vida muda por um grão de areia.
E depois? mesmo quando o grão de areia já não habita a nossa retina e nós já conseguimos ver tudo novamente...parece tudo igual - só passou um segundo - mas igual numa dimensão que não conhecemos. Um igual exterior que não é reflexo de um interior que mudou. É a velocidade da visão contra a velocidade do pensamento.
Nem sempre o que vemos é crível, porque a visão não corre de mãos dadas com o pensamento. E o mundo pode estar em colapso, pode estar a cair aos pedaços, e nós vemos um mundo perfeito. Porque a visão não é verosímil. É falsa e é lenta. Facilmente manipulada.

Tenho o interior aos saltos e o meu corpo está calmo.
Isso faz de mim falso? bem... faz de mim humano.
Descobri a humanidade que não sabia que tinha.
Não sei porquê, mas isso não me deixa feliz. ou talvez saiba.

Tenho pena que a vida seja assim, e que as pessoas fujam por um grão de areia.
Ou se calhar é só de mim,
por ter grãos de areia que são pedras da calçada portuguesa.
Por ter os olhos feridos pela dor de ver aquilo que não quer ser visto, e que se esconde, por trás dos olhos daqueles que não querem - e nunca quiseram - ver.

05 novembro 2010

Echoes

Ecos de nada. É ao que se resume o mundo de hoje em dia. Míseros pregadores de uma palavra sem pensamento. Cabeças Ocas. Cabeças de eco. Destruímos um mundo com potencial ao mesmo ritmo e com a mesma facilidade com que vamos destruindo as nossas vidas. Pensamos todos que estamos apenas a caminhar à beira do precipício, mas ainda não nos apercebemos que já estamos em queda livre. Descontrolados. A ouvir o eco dos gritos mudos da Natureza, de olhos vazios, a olhar o mar que nunca sentimos porque estávamos demasiado preocupados em tê-lo. É a isso que tudo se resume... A possuir. A ter. Ou pelo menos, a dizer que temos.
Queremos ter tudo, não interessa se precisamos. Basta ter. E ter.
Ecos...de risos. Sinfonias...de gritos.
És o eco do que eu quiser que sejas. O eco do mundo em mim. A reverberação que o Universo me atira. E ao mesmo tempo, não és nada. Ainda não és nada, por mais que eu queira que sejas. O futuro do meu passado, o presente do presente que ainda não chegou. E que, espero, um dia, chegar.
És o eco de um mundo de ecos. Todos somos o que somos. O pó das estrelas, a repetição do seu som e a propagação da sua luz.
Repete-te. Em mim. Quantas vezes quiseres. Usa e abusa de mim. Do meu corpo. Da minha carne impura que se desfaz sem que eu possa fazer nada. Não posso impedir algo do qual já não tenho controlo.
Ecos de risos, de choros, de gritos... o mais doloroso dos ecos do mundo inteligível. O que é este pensamento senão uma sombra, um eco, do de Platão?
Somos todos a repetição de algo que já aconteceu.
Vamos criar algo novo a partir do que já se fez.
Já aconteceu algo novo mesmo sem saberes, ainda sem sequer existires, já me fizeste sorrir. Obrigado.

Quem és? Onde estás?
estás
tás
tás
ás
ás
ás
s

02 setembro 2010

Another Soulmate

Procuramos a vida toda por alguém. Mas qual alguém? Alguém que acreditamos ser especial, que acreditamos dar rumo à nossa vida que parece sempre confusa. Alguém, maior que os outros, mais especial. Perfeito. Gostamos tanto da perfeição.
Procuramos a vida inteira por alguém que, supostamente, vai merecer o nosso amor. Mas no fundo, o que é certo, é que o damos sempre às pessoas erradas.
Mas o que é isso de alguém? Chamemos-lhe alma-gémea.. o que é isso? São sonhos, quase uma regra que nos incutem desde crianças. Uma crença como todas as outras.
Ensinam-nos que se festeja o Natal porque foi quando nasceu Jesus. E onde está Jesus?
Ensinam-nos que existe uma metade de nós aí à solta no mundo, a nossa cara-metade, a alma-gémea. E onde está? Ah, claro.. algures no mundo. Ninguém pode provar que ela existe, mas acreditamos. Porque somos humanos. Queremos sempre algo mais do que o que temos, temos sempre que estar à espera de alguma coisa e de acreditar que o que queremos existe, mesmo que seja lá, longe. Por isso é que as pessoas podem estar em cantos opostos do mundo e nunca se verem nem falarem, mas se são amigos, quando um morre, é o fim-do-mundo.. Nunca se iam ver, nada ia ser diferente. Mas morreu. Já não está do outro lado do mundo, já não está à distância de um telefonema que nunca acontece. Temos medo da morte, de desaparecer, e medo de aceitar que só temos o que temos. E medo de perceber que o que temos é bom, é óptimo, e nós é que usamos tudo mal e fazemos disto uma merda. É preciso ser forte... É preciso ter uma força descomunal e um cérebro de génio para com coisas óptimas, capacidades óptimas, matérias óptimas e sentimentos lindos, criar algo que detestamos.
Falhados. É o que todos somos.

Preferimos acreditar que algo ainda mais especial do que o que já temos - e não vemos - existe lá longe, do que olhar perto e perceber que a nossa alma-gémea está mesmo ao nosso lado, e que esse Deus, capaz de tudo, está dentro de nós.

15 junho 2010

Clocks


Todos os dias passam, acontecem, deixam a sua marca num tempo que não é seu e numa vida desacelerada, perdida no nosso pequeno e solitário mundo intemporal. Queremos um relógio gigante com ponteiros minúsculos, ansiamos pelos controlos para atrasar, adiantar ou fazer uma pequena pausa no nosso relógio vivido. Perdemos a completa noção do nosso caminho e do trilho a seguir, os ponteiros do relógio são a nossa bússola e as horas o nosso norte. Contamos estupidamente o tempo com medo de ficar sem ele, com medo que o relógio pare sem darmos por isso, mas para que nos serve saber que horas são, se nunca vamos saber quantas horas realmente temos?
As horas, os dias, a vida, passa tão rápido que não temos tempo de a apreciar nem de ver nada verdadeiramente. Desperdiçamos a vida, e os nossos tão preciosos dias, a localizar-nos temporalmente num mundo sem compasso definido. E no final? E quando as horas se intemporalizam? Pedimos mais... Porque, aparentemente, não tivemos tempo suficiente.
Só percebemos que o mundo é grande quando saímos dos nossos ponteiros, e só conseguimos desviar a atenção deles quando estão cansados de mais e param. Queremos tanto viver que reduzimos o nosso ângulo de visão, absorvemos todos os pormenores de dois pequenos ponteiros maestros, e o resto do mundo fica para depois. Adiamos sempre qualquer coisa. Quantas horas de vida já perdemos ao adiar o despertador dez minutos para dormir mais um pouco? No final vamos queixar-nos que tivemos pouco tempo para ver o mundo, porque tínhamos os olhos encarcerados na nossa preguiça.
Quanto tempo já perdemos em greves, no quotidiano excessivamente demorado porque "o próximo comboio também dá", em conversas de circunstância, em sorrisos falsos de aparência, em leitura de contentor ou em escrita impressa em euros? Quanto tempo já perdemos a pensar em vez de viver? A calcular se temos tempo para fazer alguma coisa, em vez de a fazer logo? E o mundo volta a ficar para depois.
Quantas são as pessoas que durante toda a vida planeiam uma viagem pelo mundo? Quantas são as que a fazem?
Os euros fazem andar os nossos ponteiros, os nossos ponteiros funcionam em relógios, e os nossos relógios marcam passo para o final do nosso tempo - e nós vamos deixando o mundo para depois, na esperança de poder adiar o relógio mais dez minutos: para mais um bocejo, mais um livro da Margarida Rebelo Pinto, ou para apanharmos um metro menos cheio (de certo modo, na nossa derradeira viagem temos o direito de ir confortáveis).
(In)felizmente, o tempo não para, o relógio não se atrasa e os ponteiros não esperam por nós. Não temos tempo de olhar uns para os outros, porque mantemos a ponta-seca em nós e a circunferência é desenhada à nossa volta e não à volta da vida.

Um dia vamos ter todo o tempo do mundo para reclamar que não tivemos tempo suficiente enquanto podíamos e vamos perceber que o tempo estava lá, e que sempre esteve, mas que nós estávamos demasiado cegos com medo de não o ter.

O tempo passa, os ponteiros avançam, as horas desvanecem o sorriso, e nós vamos esperando - de olhos presos no enlouquecedor ritmo - que o relógio esteja certo... sem nunca termos coragem para o acertar.

04 junho 2010

Live and let Die

We care, we pray, we help... We carry on their own problems.
And what do they do? Fuck our life up with any problem at all.

Fight for your personal dreams... no one can hold you back from it. You're the one. YES, you can do it!

So smile, help, be free, be happy, solve all your problems, say everything you wanna say, to any person you wanna say to. Live.

Did you say it? I love you. I don't ever wanna live without you. today. Did you said it?...

(you should...)

It might all be gone tomorrow..


(little cute games don't matter. proud is death. don't be affraid. just open your mind and spread the words... you know you can do it. You are one word of distance from happyness.)

21 maio 2010

Crystalline Green

Pareces tão cristalino agora. Tão perfeito.
Tenho saudades, não tuas, mas de nós... do que éramos e tivemos.
Depois de ti só conto casos sem cor e relações negras. Será que fiz o errado?
Tenho tanto medo de perder o que importa com escolhas desacertadas.
Seguro-te com tanta força em mim, marcaste-me tanto.

E eu sei, sei com toda a minha saudade, e é isso que me dá forças. Sei que quando eu voltar à Green Hill, te vou ver com um copo meio cheio e meio vazio de um líquido verde, e que fisicamente nem vais reparar que estou ali, mas por dentro, vais abraçar-me, porque continuas aí, à minha espera. E eu de alguém como tu. Tenho pena que me tenhas desiludido tanto.

Acho que foste a única pessoa que amei, no verdadeiro sentido da palavra.
Acho que nunca te disse ao ouvido, ou olhos nos olhos, mas amei-te.
E ainda te amo.
E vou amar-te. A ti, ao verde, ao copo e às recordações. Porque ao contrário de tudo o que seria de esperar, eu estou a rir porque estou a lembrar-te, e estou com uma lágrima no canto do olho por sentir a tua falta.
E enquanto escrevia isto, e pensava no teu sorriso perto de mim, não me lembrei de mais nada, e foste o único, mas nunca solitário, morador dos meus pensamentos.

Amo-te.
Onde estás?
Onde nos perdemos?...

...porquê?

Goodbye, my perfect dream..

24 abril 2010

Black Roses

Há qualquer coisa que me chama, enquanto te chama a ti também. Qualquer coisa, simples, que me puxa, me confunde, mas me deixa forte e a sentir que suporto o peso do mundo com o meu sorriso. Um toque, um olhar, uma palavra. Mais nada. É a simplicidade no momento certo, a aterrorizante certeza de perder o controlo sobre mim. É o teu jeito simples de me entrar na mente, de me fazer sorrir e me deixar à deriva, a flutuar, entre a realidade e o sonho, à procura de algo que acaba sempre por me encontrar.
São tantos medos e tantas vontades, tantos impulsos descontroladamente controlados, tantas vozes sem ouvir voz nenhuma. Tantos sim escondidos por detrás de tantos não. Tantos inseguros não sei disfarçados por milhentas provocações. Tantas trocas e brincadeiras, tanto em tão pouco. Tão nosso. tão meu...
Há qualquer coisa que me pede, se ajoelha à minha frente e me implora para não fugir e para não te deixar fugir. Há qualquer coisa, certa, errada..sonhada, que me diz que existes e que vamos ser um. Um de muitos. Um dos muitos uns formados por duas pessoas, mas a única colectividade realmente individual, sem partilhas, mas posses, porque não se partilha quando só existe um ser. Somos um. Única unidade. Único. Sempre. Nunca.
Sou fome, sou sede, sou tanta coisa. Sou o não saber e o não querer saber, sou a quantidade e regularidade com que me regas no teu jardim, a tua flor a quem dedicas muito ou pouco tempo. Sou o teu sonho que tens medo que te domine. Sou o medo com que sonhaste a vida inteira. Sou as tuas sensações e as minhas. As nossas verdades sonhadas um dia. As realidades perdidas no nada. Um nada que preenche tudo, que me enche o jardim de uma cor diferente de verde. És a novidade carregada de expectativas que me mudou a cor há esperança. És o futuro que apareceu no meu presente e sem esforço eliminou o passado. És o conjunto de todos os tempos, de todos os verbos e substantivos. És a língua portuguesa com que te vou presentear e a língua universal com que te vou amar. És tanto e tão pouco, és o sonho de voltar a ter jardim, és o meu sonho florido e eu sou a tua flor perdida.
És todas as letras com que escrevi este texto para ti. És eu. És o fruto do meu amor e da minha imaginação, dos meus sonhos. És o meu transe e o meu desejo de nunca mais viajar. És a minha contradição, és as minhas indecisões. És o não sei da minha vida, e a verdade, é que nunca sei nada.
Peço-te que me regues todas as noites nos meus sonhos. Agora que arrancaste as ervas daninhas dá uma nova vida a este usado jardim, a este estrume, a este nada escondido. Planta o que sempre sonhaste que iríamos sonhar e colhe o que eu um dia desejei vir a colher contigo. Faz.

Sou a rosa vermelha que um dia sonhaste colher e as pétalas negras que repousam, esmagadas, nas tuas mãos.

[tenho as mãos marcadas pela rosa negra que há pouco segurei. Perdi-me na nossa unidade e não sei qual de nós sou.. Já não estou certo que existas. Não estou certo que estejas comigo sem ser em mim. Onde estás?]

20 março 2010

God Particle

Bolhas. Elas sobem, sobem, sobem... e depois... desaparecem. Poof.
Julgamos-nos tão fortes, tão importantes, tão inquebráveis... mas e se não passarmos de pequenas esperanças de ar? Se vivermos presos por paredes de vidro e não passarmos de pequenas bolhas de gás que ao encontrarem o único caminho para a liberdade e para a felicidade, desaparecem? Quem é que alguma vez nos disse que nós fazíamos a diferença? Que importavamos para o fado do mundo? Ninguém. Apenas acreditamos nisso, porque temos um medo de morte da indiferença. Precisamos que nos olhem, que tenham razões para nos olhar. Precisamos do nosso sujo pedestal de ser-humano, de constructor de mundos de consumismo - onde com uma passagem de um simples cartão conseguimos que nos olhem e que nos invejem. Vivemos disso. Da impressão que causamos, alimentamo-nos da inveja que os outros nutrem por nós. Uns mais assumidamente que outros, mas todos da mesma forma obscena.
Somos pequenos e verdes germes cobertos de muco, com a ganância na boca e o topo na mente. Pestilentos. Odiáveis. Nojentos. Pessoas. Arrastamo-nos pesarosamente entre os destroços das guerras psicológicas de cada um, e oferecemos as armas para que se extingam, desde que o seu cadáver nos sirva de degrau para subir. A nossa vida é uma escalada sem regras, onde quem não empurra é empurrado e quem não joga duro morre na rocha. Um banquete onde quem não come é comido. A preocupação é um mito. A amizade é um filme. A confiança é ficção. O amor são bolhas que nos vão matando, matando, matando e no fim, desaparecem e deixam-nos a flutuar na morte, deitados sob a fresca relva da vida, com metade do coração nas mãos e outra no peito e o sangue amoroso a escorrer pelo nosso corpo - continuando a bater por mais um pouco daquele amor sangrento.
Sentimo-nos tão importantes e tão gigantescos, capazes de governar a grandeza do mundo... mas não nos apercebemos que somos apenas partículas vulgares num louco frenesím para governar a palma da nossa própria mão. O nosso mundo. Que estamos sempre ansiosos por partilhar.

Gostava de dar o meu mundo ao teu, de o entrelaçar no teu. Gostava que fôssemos o melhor dos dois. Gostava que o meu mundo segurasse o teu. E gostava de estar sempre presente na tua palma para que me beijes perto estando longe... para acalentar a saudade e o alvoroço da paixão. A dor da distância. O sofrimento... que nos apaga todas as memórias boas e nos deixa a nadar num mar de nada, abertos a todo o controlo do Homem, aberto a tudo o que digam que precisamos. Sensíveis. Nesse ponto tornamo-nos monstros. Cegos por não ser invisiveis, e os outros que não se deixam levar pela humanidade, são loucos por não serem iguais. Só quem ama pode terminar assim, com um riso louco.
Nenhum de nós quer a vida destruída apenas por amar, mas será que isso é possível? O amor são bolhas, mas bolhas num turbilhão de furacões que nos deixam de cabeça ao contrário, que nos elevam a vida aos ceus e brutalmente as deixam cair no fim, destruíndo tudo, e quebrando os corações impossíveis de re-arranjar.
E o que é mais difícil, o que dói mais nos corações partidos? É a incapacidade de recordar como nos sentíamos antes.

19 março 2010

Creep

O mundo podia parar que eu não notaria a diferença.



Podia acontecer tudo à minha volta que para mim estaria tudo igual.

Podias ser o meu sonho à noite e a minha realidade durante o dia, que para mim, serias sempre real, porque existes em mim com a mesma intensidade com que te sonho.

Podias só ser o nada que me esconde no vazio, que o oco da minha consciência continuaria sem entender-te(nos).


Podias ser tanta coisa...

bastava existires.
comigo ou ao invés de mim.

28 fevereiro 2010

I Dreamed a Dream

Continuo a sonhar com uma noite de chuva melodiosa, de romântica tempestade, numa pequena casa emocionalmente isolada do mundo, onde existe um cobertor a cobrir-nos enquanto nos enroscamos no sofá. Existe chocolate quente, uma lareira em frente a nós a espalhar o calor e a levar os nossos corpos à mesma temperatura que o nosso coração. Sonho com a pessoa perfeita, no sítio perfeito... no meu lado mais meloso, nas raras vezes que me permito iludir com sonhos inconcretizáveis, é com isto que sonho... Com o lugar perfeito, na cena mais típica de filme de amor perfeito, e uma conversa também perfeita sobre os quês e porquês da eternidade. No meu interior mais recalcado, é a frase "a única certeza que tenho para a eternidade é que te amo.", que mais quero ouvir sussurada no ouvido. como um beijo...
Continuo a sonhar com o amor e a sentir o seu vazio. E todos os dias, continuo a colocar uma máscara dizendo a todos - e, principalmente, a mim - que não o sinto.
Tenho os meus amigos, tenho os meus momentos de puro ócio e diversão, tenho os momentos de um trabalho que amo, tenho uma casa, tenho mais que um sorriso por dia e em dias excepcionais tenho até vários risos... Tenho tudo... só me falta aquele friozinho na barriga na antecipação de ver a pessoa amada, o natural fulgor do beijo de reencontro e o calor ardente no peito dele proveniente. Falta-me a luz para me iluminar nos momentos de escuridão, a corda para me puxar nos momentos de queda...
É angustiante esperar por algo que sabemos que nunca vamos ter. Mas mesmo assim continuamos à espera, dia após dia, sonho atrás de sonho, na esperança que os planetas mudem a sua rota, que o mundo passe a girar ao contrário e que o céu se torne vermelho. E porque não?
Ainda não tenho bem definido para mim se acredito em destino, mas indubitalvelmente que acredito em momentos. Acredito em momentos-chave para alguma coisa acontecer. Nada acontece por acaso e por acaso tudo acontece. Nunca tive um momento chave ligado à parte amorosa da minha vida, deve estar encerrada para obras - e tal como a típica obra portuguesa, demora anos a voltar a terminar. Muitas vezes, só temos um momento-chave na nossa vida amorosa, a chamada alma-gémea. E por vezes vem tardiamente... pode ser esse o meu caso.
No entanto, tenho uma pequena dor pressentida, uma pequena inconformada habituação a este vazio, a este buraco negro no meu peito, que pouco a pouco vai sugando toda a minha vida e os meus sonhos, e a pouca luz que os amigos me vão dando como substituição a esse bem tão essencial sem o qual vivo. Há algo que me diz que não sou como os outros.
Que pertenço a mim, e à solidão... é justo... quem lhe faria companhia?

A cada passo inspiro segurança e força, absorvo do ar todas as moléculas de estabilidade e sorriso, para passar pelos desafios que a vida me vai colocando à frente. Vendo todos os dias um novo casal feliz, e todos os dias lidar com sonhos irreais aos quais não me posso pegar. Vendo o meu corpo vencer a máscara tantas vezes nos últimos tempos que começa a ser difícil voltar a colocá-la. O desejo de caminhar orgulhoso sem máscara é tanto... mas o medo de sair com a cara deformada bloqueia esse desejo.


Estou farto de ser o que se atira de um penhasco por alguém que se cobriu de amor falso, farto de ser a toalha que depois usam para limpar os vestígios, e de ser deixado junto com o lixo indiferenciado para nunca mais ser re-utilizado.

Tenho o amor de anos, mas ao fim de semanas toda a gente foge de mim, sendo que o resto do tempo é ocupado com desilusão. Ninguém quer estar eternamente com uma bomba relógio pronta a explodir.

Tenho em mim os segredos do mundo, tenho em mim a chave, tenho em mim todo o amor do mundo para ser enterrado comigo.

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo". e há uma categoria onde nenhum é concretizado.

21 fevereiro 2010

Wild World

Não importa o quanto nos esforçamos. O quanto tentamos ao máximo estar atentos e controlar todos os nossos actos... às vezes, agimos por impulso. É natural. Somos seres humanos - por mais que odiemos isso - somos uma bifurcação com impulso e racionalidade. Selvagens.
Não importa o que queremos, o que no nosso interior parece certo ou errado. As nossas noções de moral estão na maioria dos casos deslocadas de contexto. Não podemos andar num ritmo separado do mundo como se ele fosse nosso, não podemos ter tudo aquilo que queremos, porque nada gira à nossa volta, a não ser o nosso pensamento egoísta. Somos egocêntricos por natureza, somos iguais a toda a raça humana, mas insistimos em dizer a nós mesmos que somos únicos, especiais...
O mundo tem a sua dinâmica, o seu ritmo e velocidade... quem somos nós para a alterar? Julgamos-nos donos e senhores do destino, capazes de decidir a nossa vida por nós, de amar quem queremos, de fazer o que nos apetece e de ser e existir da forma mais estúpida que nos surgir na mente. Mas e se é tudo uma ilusão?
Queremos tirar o máximo partido da vida, queremos ver o mundo no seu auge, vê-lo completa e verdadeiramente, a cem por cento... mas já nos esquecemos de Platão? e da sua alegoria? E se o mundo em que vivemos não passar apenas de uma sombra do mundo real?
Hoje em dia prestamos culto a um só Deus: o corpo. Queremos explorar o mundo com o nosso corpo, correndo planícies e escalando montanhas. Alcançar o mais alto dos cumes e nadar até ao mais profundo dos mares... sem nos apercebermos que na maioria das vezes, voltamos para casa com o mesmo conhecimento do que nos rodeia que tínhamos antes da "viagem".
Por isso... de que vale apanhar aviões, ir aos quatro cantos do mundo, rastejar por grutas e voar até à lua... de que vale isso tudo? De que vale ver a lua por uma minúscula janela? Eu já a tive nas mãos sem sair da minha cama. O meu Deus é o espírito.
Não sei se somos nós que estamos errados, se é o mundo que anda errado, ou se sou eu que tenho um defeito de fabrico. Seria mais feliz se soubesse? Não.
Eu tenho a minha atitude, a minha voz, o meu corpo, o meu espectro e a essência do meu ser, e vou dançando - à minha maneira - dentro do ritmo do mundo. Por vezes desafio-o, e passo todos os dias a experimentar movimentos novos. Alguns resultam, e ao fim do dia, ao deitar, sorrio ao recorda-los e penso sempre em repetir. Outros dão completamente errado, e recordo-os com uma lágrima no canto do olho ao deitar. Mas todos fazem parte do meu processo de experimentação, dos meus ensaios para a coreografia final.
É demasiado fácil ceder a tentações. É demasiado fácil dizer que nunca iríamos ceder, até sermos tentados... É demasiado fácil dizer que somos fiéis e honrados.
Habitamos um mundo civilizado. Vivemos numa civilização selvagem. Somos fruto do que nos criou e por mais personalidade que tenhamos, somos selvagens desde nascença. Não podemos negar quem somos. Resta-nos aproveitar as nossas características e juntar o selvagem à coreografia, inventar uns passos selvagens, combinar os nossos interesses e as pequenas coisas que nos diferenciam dos outros humanos para criar uma dança única e memorável. Juntar o mau e o bom. Juntar as alegrias e as tristezas para formar uma vida.
Ensaiar, todas as horas do dia, trabalhar até ao mais pequeno pormenor, cada movimento, cada músculo de cada dedo, para que nada dê errado na apresentação final... Para que o espectáculo corra da melhor maneira. Não para ouvirmos aplausos porque isso não é o cerne da questão, mas para o nosso corpo brilhar dentro do pequeno estúdio coberto de terra onde tudo termina.
Porque se não experimentar-mos sem medo, e nos limitarmos a viver a mesma vida que todos os outros... o nosso corpo não vai brilhar, e as cortinas nunca vão fechar...

E o público vai ficar, para sempre, à espera do momento certo para aplaudir.

04 fevereiro 2010

Quarto 210

hoje preciso de um pois, preciso de um se...

Quartos. Varandas. Paredes e medos. Pintados, tapados. Defeitos escondidos por inúmeros divagares conscientes da mente, que vai viajando através do impossível da nossa alma, que vai sugando os restos de corpo do nosso espectro e nos vai purificando até que consigamos atingir o nível acima. O nível superior. O nós.
Nós. Tão vulgar. O que faz do "nós" algo superior? Porque é que não podemos ser felizes sozinhos? Porque é que todos fazemos questão de sobrevalorizar o amor, de o elevar a tão alto escalão, que ele nunca chega a ser um quarto daquilo que dizem que é... A maior parte do encanto e da força no amor está na tradição oral. Da maneira como passamos, uns aos outros, a força arrebatadora (exagero inconsciente da verdade) com que o amor nos assolapou o coração. De como tomou conta de nós como se fôssemos marionetas.
O amor não nos deixa sem fôlego, o amor não nos deixa doentes, o amor não mata, o amor não reanima para a vida. Queremos com tanta força acreditar que o mundo é um conto da fadas que perdemos o nosso juízo racional, o amor é a nossa irracionalidade. O nosso apetite, a nossa atracção louca e incontrolável. O amor não passa de um desejo camuflado.
Um desejo sexual em fuga, que deixa o seu espaço para percorrer todo o nosso corpo e alma. O amor.

O que é que queres de mim? hoje sinto-me assim...

Toda a transpiração e a sede juntas num quarto. O desejo e a fome, saciados. Um instante, uma respiração, um olhar superficial com a maior profundidade alguma vez vista. Sexo.
O amor... A junção de dois corpos com duas almas entrelaçados no momento da Eternidade. Uma junção perfeita, depois de todas as coisas que se contam e se dizem. O que é o amor?... O único puzzle perfeito, com encaixe perfeito, sem número de peças definido.

Mostra o teu jogo que eu pago para ver.

26 janeiro 2010

Hearts On Fire

são chamas que ardem, são chamas que queimam.
são dores que magoam, são dores que matam.

O fogo fascina-me, as labaredas... a cor forte, o calor, a dança sensual das chamas enquanto lutam para permanecer em brilho constante. O medo do escuro que move o brilho, as luzes da escuridão que se apaga. O vento a soprar... a soprar... a soprar...
...o medo

Arde, magoa, queima e mata.
mata, queima, magoa e Arde.

não posso fugir, agora não há escolha.

A escolha tive-a eu, há uns meses atrás, quando decidi atirar-me de cabeça para mais uma epopeia de vertiginosas subidas e descidas e constantes alterações de planos. Atirei-me outra vez aos tigres, às desavenças e às mortes do passado. Ao escuro. ao negro. à penumbra da bruma. ao pânico. à instabilidade de mim. ao meu ser, que agora está de novo encurralado.
Praguejamos sempre que descemos, e nunca estamos contentes com a nossa subida. Os nossos altos e baixos, para nós, são sempre maus. Ou descemos muito, ou subimos pouco. é sempre assim, como seres humanos, nunca estamos satisfeitos com os nossos feitos, e a nossa desgraça é sempre a maior catástrofe. Faz parte de nós.

Mas... o que faz um ser humano, quando - contra todas as expectativas e previsões - deixa de ter altos e baixos na sua vida? O que podemos dizer, quando à nossa frente - em vez das habituais montanhas e vales - temos o mar. O mar de incerteza, o pútrido e néscio mar-espelho. Espelho de tudo o que fizemos ao longo de toda a caminhada.
O mar da merda que fomos e fizemos... o que dizer perante isto? Quando nos dizem Atira-te àquilo que és...
Andámos a lutar toda a vida para sermos merda? Eu não sou isto.
mas se somos o que fazemos... então o que sou eu?

Arde, magoa, queima e mata.
mata, queima, magoa e Arde
.


são chamas que ardem, são chamas que queimam.
são dores que magoam, são dores que matam.

24 janeiro 2010

O amor é não haver polícia

O meu corpo...
O teu corpo...
O nosso corpo

o mesmo quarto, o mesmo suor, a mesma sede.

o mesmo momento.
unido.
para
sempre.

Uma confusão de pele num toque suave.
os cabelos e o cheiro, a vontade.

As minhas mãos, que são os teus pés.
Os meus lábios que são os teus.

Um laço formado pelos meus braços e pelos teus...
pelos nossos
fortes, possessivos, desejosos. unidos.

Um beijo, um batimento.
a tua respiração ofegante no meu ouvido.
os meus dedos entrelaçados nos teus.
o teu coração a bater contra o meu peito.
os meus lábios a sentir todos os teus ossos.

O meu pensamento. O teu pensamento.
O meu coração. O teu coração.
O meu sentimento. O teu sentimento... O nosso sentimento.

Eu e tu... Nós. Unidos.
Num momento sonhado que durou para sempre,
e que todos os dias acontece

No meu olhar...
No teu olhar...
No nosso olhar.

12 janeiro 2010

The Mask

Eu podia nunca ter sido nada. Podia não passar do devaneio de alguém, do sonho da minha mãe. Podia não passar de um projecto, um plano feito para um futuro próximo ou distante, um plano daqueles - que por motivos de força maior – nunca se chegam a realizar. Por qualquer razão, desde a maior revolução ao acontecimento mais insignificante, eu podia não existir. Não ter a oportunidade de fazer algo tão normal e aparentemente irrelevante como o que estou a fazer agora: Escrever.

Eu podia nunca ter passado de um sonho, uma fantasia imaginada por uma mulher estéril. Eu podia nunca ter passado de um plano, algo agendado para o futuro, por um casal que antes desse futuro chegar se divorciou. Podia nunca ter sido nada, porque podia ter acontecido tudo. E pode ainda acontecer, não sei o que me leva – a mim e à maioria das pessoas – a pensar que só porque nascemos já existimos e já vivemos. O tudo pode ainda acontecer, daqui a umas horas, amanhã, dentro de um mês...

Não basta nascer para existir. E já alguém bem mais inteligente que eu dizia isto, por palavras mais elaboradas e talvez expostas de uma maneira mais cuidada – só assim conseguiu que a frase ficasse para sempre. Mas não é isso que pretendo, não é imortalizar este texto, nem qualquer frase em particular nele presente. Até porque as frases que ficam e todos dizem, acabam por ser utilizadas noutro sentido que talvez envergonhe até os seus próprios autores, ou por outro lado, podem passar a ser eternizadas pelos estudiosos da lingua e o seu sentido evapora-se, fica só a maneira – elegante e preocupada – com que foi escrita.

E não, de maneira nenhuma, não! Não é isso que procuro para nenhum dos meus textos. Não é isso que procuro para mim. Não quero ficar para a história, iam elevar-me ao nível de personalidades das quais nem o calcanhar atingi. Iam fazer de mim perfeito quando nem uma pequena noção de perfeição conheci. É sempre isso que acontece, grandiosos pintores ou artistas de qualquer género, são apenas razoáveis enquanto vivem, mas com a morte passam a ser os melhores do século tal e tal. Referências para mil e uma pessoas que passam a dirigir a sua arte – que supostamente é pessoal e demonstra o que sentimos no nosso interior – para ser do estilo do tal artista que faleceu. Não quero que ergam monumentos em minha honra, ou que escrevam textos para ser do estilo “Sousiano”, neste momento a única coisa em que estou a pensar é em escrever – ou no raspanete que levaria caso não entregasse este texto à professora de Português – mas vamos partir da ideia nobre de que escrevo por escrever (assim caso alguém decida idolatrar-me – mesmo não sendo,de todo, esse o meu objectivo – vai parecer que fui mais homem dos ofícios e nobre do que realmente sou – e é isso que se vê na história de todos os escritores imortalizados).

Continuando o fio de pensamento, que já o estava quase a perder, não estou a escrever para que me considerem grande – até porque não sou grande coisa. - Escrevo só pelo prazer que me dá, pela libertação que sinto. Sou capaz de fazer tudo, até voar, basta escrevê-lo num papel. E escrever parece-me ser a melhor maneira de existir, marcar o mundo com o que sinto, da mesma maneira com que marco o papel com a caneta. E só assim vivo plenamente, só assim posso dizer que existo. Não sei se todos sentem isto quando escrevem ou se só eu o sinto porque encontrei, finalmente, algo que me completa. Mas sei que me sinto bem e todos os receios, todas as perguntas da filosofia sem resposta, como o porquê de existirmos. Todos os medos e pensamentos que nos levam ao nosso nascimento e a pensar que podíamos não existir se algo tão simples como o bater de asas de uma borboleta tivesse provocado um furacão na vida dos nossos pais. Efeito borboleta, é assim que o chamam, só a escrever o seu nome fico aterrorizado – e boquiaberto ao mesmo tempo – mas depois de o escrever é como se ele já não me pudesse atingir mais.

E é assim que me sinto quando escrevo, invencível. E venha tudo para tentar que eu não exista mais e me torne em nada, que eu lutarei, escrevendo.

16 setembro 2009

Imagine

És o meu amor... assim pudesses tu saber quem és...

Amo-te. Com tanta força quanto aquela como me lembro da memória que deixaste antes de apareceres. Decorei os teus gestos antes de os fazeres. Sei de cor as coisas que um dia me vais dizer. Lembro-me da tua pele suave em que um dia vou tocar, da tua voz de mel que um dia vou ouvir, dos teus pensamentos que um dia vais partilhar comigo. Lembro-me de todas as coisas que faremos juntos. Recordo-me de ti, no meu futuro. Tenho as fotografias ainda não reveladas de ti, na minha vida.

Ainda não apareceste, és o sol que vai dar luz à minha vida, mas ainda não chegaste até mim. Vais ser a minha estrela guia, e o meu chão que não me vai deixar cair para o submundo.

Vais ter tudo de mim, e eu vou ter tudo de ti, um dia. Um dia no futuro, que eu já sei de cor.

Já consegui entender a perfeição do nosso amor, antes mesmo de ele existir. Já sei o que o meu coração vai sentir, antes mesmo de te ver.

Não sei quem és, mas sei o que serás para mim. Nunca vi a tua face, nunca ouvi a tua voz, mas eu sei que gosto delas.

Nunca olhei nos teus olhos, nunca ouvi as tuas mentiras... mas sei que tas perdoarei.

Já sei tudo. A maneira como te vou tocar, como te vou amar, como te vou abraçar, e como vamos ser, um dia.

Amo-te, e amar-te-ei um dia, quando te conhecer. És o sonho de qualquer pessoa, és o mundo que um dia vai estar debaixo da minha asa, protegido pela minha paixão.

[a única coisa que não sei, de todo, é porque é que tudo isto não pode ser verdade...]

03 agosto 2009

My Way

Perco o meu tempo a divagar sobre questões que pouco importam na minha vida, enquanto deveria estar a festejar um sonho concretizado, ou a chorar uma perda indesejada. Mas não. nada disso me afecta. O que me tem afectado ultimamente é o destino... Será que eu estou destinado a escrever este post, a esta hora? Será que posso deixá-lo para amanhã? mas... se o deixar para amanhã, foi por minha vontade, ou porque já estava escrito que eu ia deixa-lo para amanhã? existe livre-arbítrio? ou somos todos controlados e a nossa vida planeada ao pormenor? se eu tivesse escrito detalhe em vez de pormenor, faria alguma diferença no mundo?

Agora lembrei-me do filme, Teoria do Caos, que vi dia 12 ou assim... Será que a mudança de uma coisa mínima pode levar a vida a uma proporção tão diferente? será que pode realmente mudá-la?

Até agora foram só perguntas, e não esperem respostas, porque se alguém as tiver eu peço. E até devem valer algum dinheiro, porque estás são apenas as perguntas mais feitas do universo... oh, vou deixar-me disto. ou não... não sei... era tão bom de eu pudesse ler ao que é que estou destinado.

Os revolucionários, os que se dizem alternativos e livres... será que o são? Se uma revolução já estava escrita, será que continua a ser assim tão revolucionária? ou.. o alternativismo, e o dizer que somos livres. então? sou livre porque estou na praia às três da manhã, ena que maluco, e daqui a nada vou à água. Que liberdade! Sim, até soa a livre, mas... e se já alguém escrever exactamente que ias fazer isso há milhões de anos atrás?

MERDA

desculpem, estava destinado. ou foi só porque quis? ou quis porque estava destinado a querer? Ou quis estar destinado a querer?

Acho que já chega de post. Tenho sono, não escrevo nada que se aproveite e o mais provável é não o publicar! Mas, será que posso? Se não fosse para o publicar, qual era a lógica de estar para aqui a escrever? será que estava destinado eu carregar no teclado do portátil? olhar para o ecran?
Será que escrever é um impulso? ou está escrito em algum lado que tenho impulsos de escrita?
Começo a ver-me como uma personagem... será que as minhas falas já foram escritas? será que a minha vida já foi decidida? será que o mundo tem um guião?

Não sei nenhuma resposta às perguntas que coloquei. se não gostarem, mudem de site. E se estiverem destinados a ler os desabafos de um vagabundo sem interesse como eu? bom, nesse caso, queixem-se a quem escreveu o vosso destino. na minha opinião, é o mesmo que dizer, queixem-se a vocês mesmos pelas opções que tomaram.

Acho que já chega por hoje, vou dar isto por terminado... mas e se estiver destinado a escrever mais? O que posso fazer? E se eu terminar por aqui e estiver escrito que deveria ter mais linhas, o que pode mudar no mundo?...
Não sei. FODASSE - impulso ou destino?

não me interessa. vou continuar a viver, sem me preocupar com isso, se estiver destinado logo verei o que me reservaram... se não, logo verei o que as minhas opções me trazem. Seja como for, vou continuar a viver à minha maneira, sem querer saber do que dizem de mim, esteja isso destinado ou não. Vou continuar com o meu alternativismo, psicadelismo e progressivismo, a escrever a minha vida anormal, ou a viver a vida doentia e degradante que já alguém ao tempo escreveu, para ser a minha suposta normalidade.

No fim, morremos todos, o que importa se vivemos à Sinatra ou não? Só muda o pronome. I did it my way... I did it his way...