23 novembro 2011

Our spring will come

Um dia todos os dias vão ser dias e o presente o tempo que ansiaremos recordar. Tudo o que falha cresce de alguma forma, dentro de nós, como um correcto de um dia futuro. A procura de algo melhor é o que nos acompanha, mas de forma alguma pode ser aquilo que nos separa do agora. Estar de mãos dadas com o futuro não é sinónimo de estar de costas voltadas ao presente.
É isto que tenho que manter presente na minha mente. Que o agora importa por ser agora e por mais razão nenhuma. Um dia vai deixar marca porque aconteceu. Nem que seja para recordar um corpo qualquer sem alma que me cruzou.
A única dúvida que resta, a maior, e que leva a minha cabeça à auto-mutilação, é se o futuro vai ser como eu o penso, e se vou pensar neste passado como o passado nostálgico que me levou até onde irei estar... Ou se vou estar num sítio tão diferente do imaginado que nem me vou lembrar do que julgava ir ser.
Respostas? Estão naquele tempo que eu anseio alcançar, escondido por detrás desta bruma que eu sinto impossível de ultrapassar. Rimei, absolutamente por acaso. Aliás por acaso tem sido provavelmente a única razão porque me encontro a viver.

o ser humano embarca sempre numa eterna busca pela felicidade.
enquanto ela se esconde no tempo a que chamamos futuro, que vem sempre depois daquele que estamos a viver.

14 novembro 2011

Dear Heart

Se eu antes não estava preparado não é agora que estou. Ao contrário do que dizem, por mais golpes que levemos, não nos tornamos mais fortes. É só uma dor, no peito, tão quente e adormecedora como a primeira que se repete. uma e outra vez.
Adeus. é isto que se diz? eu não sei, e há uma parte inteira de mim que não quer saber. o que se diz ou não se diz, tanto quanto não quer ter de pensar. É demais. É injusto que nos façam isto, e pedirem de ti o que pedem.
Se antes eu queria brincar na careca e fingir que fazia crescer cabelo... Agora não quero ter a necessidade de o imaginar. É uma cura que deixa à vista o que se passa, e que por mais que tentemos não nos deixa esquecer.
Eu posso dizer que te amo e que é a ti que devo a minha vida. Porque por mais inútil, imbecil e ignóbil que eu possa ter sido para ti, nunca foi de verdade. É a estupidez do crescimento humano - mal-agradecido e injusto.
Quero ter mais mil anos para te pedir desculpa e para que tu vejas o que a tua influência produziu em mim. Porque por mais que eu diga que não me importo...é mentira.
Se te devo tudo, devo principalmente recompensar-te por sempre me teres dado o que tinhas e não tinhas e te teres posto em segundo plano para me deixares ser quem sou. Me teres tirado as palas dos olhos e me teres feito ver um mundo que me preenche e eu não conhecia. Não somos todos iguais e eu conheço as culturas, raças, ideologias e mentalidades diferentes por alguém me ter dito que a vida é criar o nosso próprio caminho e não seguir aquele que os outros já calcaram.
O fogo da primeira vez é o mais aliciante... foi assim que descobri o que o Gedeão queria dizer com "Desflorar florestas virgens".
Se tenho uma estante com livros - já alguns tendo em conta a minha longevidade - é porque um dia alguém me ensinou que para livros há sempre dinheiro. Porque cultura é vida e nós devemos viver e não sobreviver.
Que guardar é ter esperança numa eternidade que não vem, e por isso, não devemos - mesmo - deixar para amanhã o que sentimos e queremos fazer hoje. Eu não fiz, nem por sombras, metade do que queria fazer contigo. e é isso que dói.
É todos os dias acrescentar coisas à lista de afazeres a dois e lembrar-me que mais dia menos dia podemos ser só um.
És a força que me calhou, e eu tenho a melhor sorte do mundo por isso. A força, a determinação, a luta e a revolta no meu coração pertencem-te e vivem aqui no meu peito juntamente contigo, a bombear o meu sangue pelo meu corpo.
O meu medo é que, em mim, seja a única morada tua neste mundo que chamamos real.
Não vas.
nunca.
A minha porta aberta ao mundo está prestes a trancar.

22 outubro 2011

Lotus Flower

e foi mais um esforço dele para pertencer a um mundo que sabia previamente não o reparar.
de encontrar uma luz num vazio coberto de efeitos e sons ao qual não pertence.
uma esperança despedaçada por cínicos delitos de ser o que não se é, segredados por alguém que é aquilo que não assume sempre ter sido.

É assim que se perdem aquelas estrelas que julgamos irem brilhar para sempre
e assim também que se confunde o chão sonhado daquele que efectivamente se pisa.

Espelhos estilhaçados
com reflexos de ilusões mórbidas:
mascaras de um amor incauto

dizendo "olá"
como quem diz um
"adeus, até um dia"
que pressente
eternamente por chegar.

a procura de alguém que sabe nunca encontrar,
porque encontros imediatos são estrelas que
facilmente mudam de lugar
confundindo-nos de posições consoante o sítio
onde acreditamos vir a estar.

Constelações inconsteláveis,
inconstantes,
improváveis.
imaginadas num sonho nocturno que está desperto
destinado a rumar alguém que luta para não ser incerto;

ao invés de esperar não procurando
aquele que o saudará sorrindo
mesmo não estando perto

"Eu gosto de ti"
diz,
julgando-se certo daquilo que sente.
"Eu amo-te"
diz a estrela,
capaz de dizer somente
aquilo que a sua essência sente.