04 julho 2010

Tonight

Eu pedi para parares e tu continuaste sem cessar. Pedi-te só um momento, para respirar, para pensar, para perceber, para esquecer. Não. Negaste-me tudo aquilo a que, embora não tenha direito, eu podia recorrer em último caso. Negaste-me a vida. Só porque não podes parar. Só porque tens horários a cumprir, como todos nós. PÁRA. PARA QUÊ?
A escada continua igual, e eu continuo a poder subi-las, todos os dias, contigo e sem ti. Deixa-me parar no próximo andar. Por favor, preciso de inspirar calmamente, contigo tudo parece tão inseguro. Para. Por favor. Parem o mundo, quero sair.


Adeus meu amante desconhecido,
que eu conheço às vezes,
às vezes,
quando vivo.

Adeus Mundo!

01 julho 2010

Canção da Canção da Lua

O que queres que diga mais?
Já perdemos todas as palavras.
Já marcámos as paredes de nós.
As ruas sussurram os nossos nomes.
Os candeeiros explodem com a nossa luz.
os sinais, o vento, as buzinas.
Só mais uma típica rua da metrópole
coberta de vultos e vozes,
onde eu só distingo o teu timbre.
Cada pedra da calçada portuguesa,
cada átomo do ar mundial,
a pressa de correr para chegar a lado nenhum,
onde não interessa,
onde não queremos estar.

E a rua... será que continua igual?
ou está diferente do que fomos?

Será que vamos passar naquele mesmo sítio sem nos lembrarmos do que nos levou até ali?

Em todas as ruas te encontro,
em todas as tuas te perco.

e agora?

Não quero o futuro, quero o presente que vem depois.


Fez um ano desde a primeira vez que escrevi neste blog e nem me lembrei... é a importância que dou ao tempo, aquele tempo, enquanto a rua está escura.

22 junho 2010

Capitão Romance

Sou capitão do meu barco
de piratas e de salvadores
Capitão do mar e do céu,
da terra, mundo e arredores.
Capitão de vontades e desejos,
de tristezas, formigas, moscas
e percevejos.
Capitão das casas e das ruas,
das aldeias e das cidades.
Capitão de formas, matérias,
estruturas e gruas, capitão de
reformas, ordenados, impostos
e pagamentos adiantados
(ou atrasados).
Capitão da verdade e da mentira,
da mente e do corpo, da beleza,
do amor, do cinismo, do medo
e da obscuridade.
Capitão das faltas, morais, amizades,
das falsidades e da sinceridade.
Capitão dos sonhos sonhados
dos sonhos vividos
das vivências sonhadas. Das
memórias, dos relógios, ponteiros,
do tempo. (De um tempo que não é meu
e que ao mesmo tempo, sendo nosso,
acaba por não ser de ninguém.)
Sou Capitão do meu barco enorme que não possuo.
Capitão da humanidade
dos animais,
das vacas mimosa
das vacas de quatro patas
das vacas de duas patas que falam
das vacas que gostam de vacas
daquelas que riem
e daquelas que seduzem os bois.
Sou capitão das vacas porque sou uma vaca
uma vaca que muge tudo o que pensa e que
por isso
é má-mugidora.

Sou capitão.
Capitão dos capitães
e daqueles que um dia o serão.
Capitão da palma da minha mão,
capitão do que digo, do que escrevo
do que penso.
Capitão da minha mente,
mente essa que possui um mundo,
no qual vivo,
e no qual sou Capitão.
Capitão de tudo o que lá exista.
E escrevo tudo aqui neste espaço,
porque é o meu, porque sou capitão.
Sou capitão do Romance,
do verso

branco
e das palavras,
embora ninguém acredite no que elas são.
A vida e a morte são minhas servas,
por isso, façam continência ao Capitão!
Não que elas o sejam mesmo,
mas só porque eu digo que o são.

Leste isto também,
embora não sejas meu subordinado
(nem eu teu Capitão)
Porque o primeiro passo para se ser alguma coisa,
é ter vontade
lutar
e acreditar
que se o é na realidade...

E este é o Conselho de quem se julga Capitão
de um mundo onde os mortos também sonharão.