há exactamente seis meses eu estava numa praia que eu conhecia como a palma da minha mão, rodeado pelas pessoas que - quer eu gostasse ou não - me tinham rodeado nos últimos três anos; estava perto dos meus, das pessoas que me viram nascer e crescer. estava perto de todos a recordar passados recentes, ou coisas que já custava à memória lembrar.
agora, seis meses depois, eu estou num sítio que ainda é novo, um sítio que eu estou a conhecer e a transformar no meu novo lar, a minha nova casa; com pessoas que eu conheci há meses, e pela primeira vez, a pensar num futuro que não parece assustador como parecia até agora, mas pelo contrário brilhante e exactamente como o sonhei.
seis meses.
é nestas alturas que eu sei que sonhar vale a pena.
obrigado.
22 setembro 2012
London Skies
E lá vão cinco meses desde que, não sei porquê, deixei de visitar este meu canto com frequência. Sou descuidado, sou despreocupado, e por isso facilmente as coisas me fogem das mãos, e com ainda maior facilidade eu me esqueço delas. Eu sou assim. E muitas outras mais coisas que julguei poder mudar e não consegui.
É possível sentir-se realizado? Nunca.
É possível sentir-se completo? Não tenho esperanças nisso.
É possível fazer alguma coisa para tentar mudar todas essas possibilidades pouco prováveis/impossíveis? Quero acreditar que sim.
Tudo o que sempre aqui escrevi como um sonho, aconteceu. Foi realidade, tornou-se a minha realidade, por uns tempos - mesmo que só uns minutos. Mas a vida exige escolhas, e as minhas são sempre feitas em prol desta tão positiva (ou obstinada) ambição que me caracteriza.
Eu tinha tudo, e deixei tudo. Porque a cidade chamou, e eu sentia o seu chamamento há anos suficientes para conseguir dizer que não.
Faz um mês e meio.
Tudo o que sempre sonhei tem vindo a acontecer neste curto espaço de tempo e eu não consigo tirar o sorriso da minha cara.
Só me pergunto porque é que aquilo que me deixa vazio é aquilo que sempre disse a mim mesmo não precisar e é a única coisa com a qual nunca me atrevi a sonhar?
Copos de vinho não substituem o amor.
É possível sentir-se realizado? Nunca.
É possível sentir-se completo? Não tenho esperanças nisso.
É possível fazer alguma coisa para tentar mudar todas essas possibilidades pouco prováveis/impossíveis? Quero acreditar que sim.
Tudo o que sempre aqui escrevi como um sonho, aconteceu. Foi realidade, tornou-se a minha realidade, por uns tempos - mesmo que só uns minutos. Mas a vida exige escolhas, e as minhas são sempre feitas em prol desta tão positiva (ou obstinada) ambição que me caracteriza.
Eu tinha tudo, e deixei tudo. Porque a cidade chamou, e eu sentia o seu chamamento há anos suficientes para conseguir dizer que não.
Faz um mês e meio.
Tudo o que sempre sonhei tem vindo a acontecer neste curto espaço de tempo e eu não consigo tirar o sorriso da minha cara.
Só me pergunto porque é que aquilo que me deixa vazio é aquilo que sempre disse a mim mesmo não precisar e é a única coisa com a qual nunca me atrevi a sonhar?
Copos de vinho não substituem o amor.
01 abril 2012
Nantes
Encontrei-me na traição de mim mesmo. Encontrei o fim com expressões deixadas a meio. Encontrei o meu final das reticências, mesmo que sendo errado, ou mesmo que seja certo escondido. Encontrei a minha transparência devido à opacidade que se me opunha. Encontrei grandeza em tão tímida pequenez. Encontrei um dinossauro encarcerado num pequeno lobo amedrontado. Encontrei beleza numa carcaça comum. Encontrei o espírito por baixo de uma voz fora de tom. Encontrei semelhança na diferença e vida no aborrecimento. Encontrei vontade disfarçada de posse e encontrei posse que não se encontrou a si própria. Encontrei medo onde julgava haver segurança. Encontrei um presente diferente do passado ao tentar revivê-lo por o achar mais fácil. Encontrei a complicação do ser humano nas situações mais simples. Encontrei o sorriso por entre o nojo, encontrei o riso por trás das semelhanças que o matavam. Encontrei o agradável no prazer inexistente. Encontrei a dúvida na tentativa da certeza, julgando de antemão que as tentativas não existiam. Encontrei o boom que queria sem o procurar, e encontrei o engano no querer esse boom. Encontrei a onomatopeia para escrever boom. E encontro-me sozinho a tentar apagá-lo como uma tecla consegue agora fazer à palavra.
Encontrei o mar à beira da praia, e encontrei a sorte no meio do azar.
Encontrei o pacifismo na agressividade, encontrei a calma na agitação e encontrei mais pontos de interrogação do que aqueles que os meus pensamentos criavam.
Encontrei a racionalidade perdida no instinto e o instinto, esse, encontrou a racionalidade escondida nele.
Tudo se encontrou.
E depois a porta fechou-me e a praia não era a mesma.
Deixa-me sozinho no meio da areia
Porque eu encontrei a areia pura e branca no meio da lama.
Encontrei qualquer coisa sem saber dizer muito bem o quê
e Reencontrei o medo de encontrar depois de tantos encontros de graus diferentes.
e no final,
percebi que é o suposto dia das mentiras e nas suas primeiras horas eu percebi a verdade.
Encontrei o mar à beira da praia, e encontrei a sorte no meio do azar.
Encontrei o pacifismo na agressividade, encontrei a calma na agitação e encontrei mais pontos de interrogação do que aqueles que os meus pensamentos criavam.
Encontrei a racionalidade perdida no instinto e o instinto, esse, encontrou a racionalidade escondida nele.
Tudo se encontrou.
E depois a porta fechou-me e a praia não era a mesma.
Deixa-me sozinho no meio da areia
Porque eu encontrei a areia pura e branca no meio da lama.
Encontrei qualquer coisa sem saber dizer muito bem o quê
e Reencontrei o medo de encontrar depois de tantos encontros de graus diferentes.
e no final,
percebi que é o suposto dia das mentiras e nas suas primeiras horas eu percebi a verdade.
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