05 julho 2010

Apple's and Banana's

Era uma vez uma maçã
que de bonita era chamada,
uma maçã bem vermelha,
e ainda por ser trincada.

Era tão perfeita,
por todos tão desejada,
aquela maçã vermelha
e ainda por ser trincada.

Por mim ela foi comprada,
e foi bem saboreada,
aquela maçã vermelha
que de virgem não tinha nada.

Uma trinca. Ai que bom,
e a outra por ali ficou.
uma maçã tão vermelha
que o sabor me enganou.

Depois de mim, foram os outros
a quem ela se ofereceu.
Aquela maçã tão vermelha
que tem um pedaço meu.

A primeira dentada era perfeita
mas mais nenhuma ela deixava,
porque guardava o seu sabor
para os outros a quem se dava.

Acabou sozinha, a coitada.
Apelidada de porca,
embora entre cada trinca
ela fosse bem lavada.

E assim se transformou
a maçã tão desejada,
que por tudo querer de todos,
acabou sem comer nada.

04 julho 2010

Tonight

Eu pedi para parares e tu continuaste sem cessar. Pedi-te só um momento, para respirar, para pensar, para perceber, para esquecer. Não. Negaste-me tudo aquilo a que, embora não tenha direito, eu podia recorrer em último caso. Negaste-me a vida. Só porque não podes parar. Só porque tens horários a cumprir, como todos nós. PÁRA. PARA QUÊ?
A escada continua igual, e eu continuo a poder subi-las, todos os dias, contigo e sem ti. Deixa-me parar no próximo andar. Por favor, preciso de inspirar calmamente, contigo tudo parece tão inseguro. Para. Por favor. Parem o mundo, quero sair.


Adeus meu amante desconhecido,
que eu conheço às vezes,
às vezes,
quando vivo.

Adeus Mundo!

01 julho 2010

Canção da Canção da Lua

O que queres que diga mais?
Já perdemos todas as palavras.
Já marcámos as paredes de nós.
As ruas sussurram os nossos nomes.
Os candeeiros explodem com a nossa luz.
os sinais, o vento, as buzinas.
Só mais uma típica rua da metrópole
coberta de vultos e vozes,
onde eu só distingo o teu timbre.
Cada pedra da calçada portuguesa,
cada átomo do ar mundial,
a pressa de correr para chegar a lado nenhum,
onde não interessa,
onde não queremos estar.

E a rua... será que continua igual?
ou está diferente do que fomos?

Será que vamos passar naquele mesmo sítio sem nos lembrarmos do que nos levou até ali?

Em todas as ruas te encontro,
em todas as tuas te perco.

e agora?

Não quero o futuro, quero o presente que vem depois.


Fez um ano desde a primeira vez que escrevi neste blog e nem me lembrei... é a importância que dou ao tempo, aquele tempo, enquanto a rua está escura.