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15 fevereiro 2010

Jigsaw Falling Into Place

Hoje queria escrever algo composto, organizado, recheado de figuras de estilo bonitas e floreados que todo o mundo gostasse. Mas depois pensei qual é o sentido disso?

A minha vida não tem flores, não tem o agradável cheiro de uma tarde de verão, não tem o cheiro do mar à noite, nem a vida dos raios de sol pela manhã. Não tem o som de rouxinóis, nem o zumbido das abelhas no mel. Nem a minha, nem a de ninguém.
O mundo, a vida... tem o som de serra eléctrica, tem o cheiro de Bairro Alto às quatro da manhã. Tem o aspecto de algo que não queremos ter, mas que também não queremos perder. Afinal, o Bairro Alto às quatro também está recheado de risos...

Hoje quero uma noite bem passada, um copo de absinto cheio de gelo até ao cimo, uma conversa interessante com alguma pessoa interessante. Quero rasgar os meus lábios num sorriso, quero dar-me a conhecer.
Hoje faz um ano. Hoje faz um ano que me dei a conhecer, hoje faz um ano que tive uma noite bem passada, com um copo de absinto cheio de gelo até ao cimo, hoje faz um ano que falei com alguém interessante, e que conheci alguém interessante. Hoje...
Hoje faz um ano que entraste em mim com o teu ritmo meio cheio, meio vazio. Já aconteceu tanta coisa depois disso...

Hoje faz um ano que te conheci... há um ano não sabia que o vestido branco me poderia causar tanto pânico.

Há um ano foi o primeiro dia do resto da minha vida.
Estou tão feliz por seres passado.

[hoje o puzzle que montei foi diferente do que montei nos outros dias, e foi sem dúvida, bem melhor que aquele que desmontei há uns meses]

Já não quero absinto, agora prefiro uma corridinha.

27 setembro 2009

Mundo ao contrário .


ao lado da bancada da cerveja, perto dos caixotes, onde está a mulher de casaco vermelho a fumar...

20 setembro 2009

Clair de Lune

O que é que vês quando fechas os olhos?

Será que estás tão possuído pelas brumas que só vês negro? Será que a tua alma está tão poluída por ódio que já não consegues ver com os olhos fechados?
Já não és a pessoa que eu conheci, já não és o desejo contra o qual lutei, já não és o medo que eu ultrapassei, já não és a saudade que eu chorei. não és nada. És corpo, sem espectro. Moves-te friamente por entre a pedra tortuosa deste mundo. Já não és quente, os teus olhos já não têm a felicidade de antigamente, já não vês o mundo que vias. Porquê?
Já não és tu. Mudaste, e eu, permaneci igual. Permaneci estático no nosso sítio, passando ao lado dos anos que voam, conservando-me para ti. Não valeu de nada. Os teus olhos novos já não me olham, apenas me vêem. As tuas mãos novas já não me tocam, apenas me agarram. A tua pele... O que quer que seja que agora tenhas a envolver-te os músculos já não me sente, já não me preenche, nada...
Aprendi que não vale a pena esperar nada dos outros, porque por mais que se possa tentar, o tempo vai sempre passar e levar consigo as memórias da infância.

O que é que eu vejo quando fecho os olhos?
Vejo felicidade, e um desejo de viver que agora já não consigo encontrar. Vejo o abraço e o beijo que outrora explorámos, vejo o palheiro onde desabrochámos, juntos, pela primeira vez.
O que é que vejo quando abro os olhos?
Vejo no espelho alguém que não reconheço. Também já não tenho os mesmos olhos que tinha, já não tenho as mesmas mãos, nem a mesma pele... Nem a mesma idade... Por mais esforços que tenha feito, também mudei. Não sou indiferente ao tempo.

Talvez, continuemos os dois iguais, mas numa igualdade que já não combina. Talvez o tempo tenha alterado as combinações, ou talvez nós tenhamos mudado radicalmente. Não importa. O mundo é uma constante de mudança, o passado dos novos é tão curto como o futuro dos idosos, a ambição de uns equivale à experiência de outros. Talvez o nosso passado também tenha mudado, porque éramos ingénuos e pequenos, e agora, já sabemos minimamente o que é o mundo.
Quando fecho os olhos continuo a ver-nos, como éramos, há alguns anos atrás.

E tu,

Quem é que vês quando fechas os olhos?

31 julho 2009

Falling away with you .

hoje lembrei-me de ti...
lembrei-me em como contavas os meses com tanta assiduidade e deserradamente. em como davas toda a atenção do mundo ao mais pequeno pormenor. Tudo te suscitava curiosidade. lembrei-me, também, de como falaste comigo a primeira vez. Como sorriste. como disseste o meu nome. a maneira como me deste uma palmada no ombro e levaste o copo. o copo. cheio até meio, vazio até outro meio, com o líquido verde. meu verdinho ...

hoje... lembrei-me de ti.
lembrei-me de como eras. do cheiro do teu cabelo pela manhã. do pequeno almoço na tua casa. do cheiro das panquecas que deixaste queimar no primeiro dia dos nossos dias verdes. da maneira como me ligaste a meio da aula e disseste 'zimbora lá', e fomos com destino a lado nenhum com 'Leave out all the rest' a dar no rádio. E lembrei-me da maneira como deixei tudo voar pelo tejadilho aberto do Opel Tigra, e deixei pedaços do 'all the rest' da minha vida pelo caminho. Queria que tu fosses o meu 'all the rest' e não te queria 'leave out'. Nunca.

hoje lembrei-me... de ti.
dos beijinhos para me acordar. das tuas mãos quentes por baixo dos cobertores. do hálito fresco a entrar para dentro de mim. de dormir enrolado pelos teus braços. de dizeres 'boa noite, meu sonho perfeito' no meu ouvido. de me levares a conhecer o meu país enquanto entrava no teu mundo. da casa de família que juravas um dia me ir pertencer. das tuas mãos apertarem as minhas com tanta força quando revelavas o medo de me perder.

hoje lembrei-me de... ti.
dos desacontecimentos que levaram ao cruzar dos nossos olhares. da passagem de ano em que nem uma palavra me dirigiste, embora me tenhas mirado a noite inteira. do carnaval em que finalmente desmascaraste essa tua fantasia. o carnaval. o carnaval em que os meus lábios tocaram os teus conjugando a perfeição do mundo num só momento. de quando deixei o sonho de qualquer ser humano para sair daquela gruta contigo e enrolei as minhas mãos nas tuas, a ver o sol nascer à beira mar.

hoje lembrei-me de ti...

Desesqueci-me de como te amei. Desaprendi de como te esqueci. Irrecordei todos os momentos que passamos. Viajei ao nosso despassado, para perceber que nunca iria existir futuro. O vestido branco continua a atormentar-me.
Viajei, recordei, chorei... para chegar à conclusão que, agora, depois deste tempo, finalmente, te desamo.

Amei-te, Desamo-te, Desredesamarei .

Como disse Mia Couto : 'o amor acontece para a gente desacontecer'

eu desaconteci contigo, mas agora, voltei a acontecer, com mais força que nunca.

Depois de tudo, lembrei-me de ti. Lembrei-me de um momento em que dizia que te ia amar até à eternidade. Hoje, tive a certeza de que essa eternidade chegou.

Depois de tudo, deslizam por entre os dedos da mesma mão que outrora segurou tudo, os últimos pedaços de nada que restaram da cor da esperança.

Desfazes parte do meu desfuturo.

28 junho 2009

My Immortal

" 16/01/05

Amo-te, e agora é certo. Eu sei que é... nunca estive tão certo de nada na minha vida como estou agora. Uma certeza adulta, tão crescida que ultrapassa os meus míseros onze anos. Agora posso escrever 'amo-te', mas continuo sem to poder dizer cara-a-cara.
Alex. "


" 17/01/05

Já tenho a certeza do que tenho de fazer. Não aguento viver a amar-te sem que me ames também. Também sei que nunca me vais amar, nem o meu amor por ti acabar. Pode parecer parvo, mas é sentido... a minha parvoíce não é novidade a ninguém. Pelo menos a ti não é, porque me conheces.
Vou sempre estar aqui para ti. Vou estar aqui quando caíres. Vou estar aqui quando tiveres uma negativa. Vou estar aqui quando chorares. Vou estar aqui quando precisares.
Oiço a chuva pela janela... nunca gostei tanto do seu som, nunca gostei tanto de chuva... Por vezes, corro à chuva, brinco nas poças e sei que aquilo me faz rir, pode parecer indiferente, mas faz-me feliz. E constipado, uns dias a seguir! O meu único desejo é que se sinta a chuva no céu, para poder sentir as gotas frescas no meu corpo. Nem que seja só uma ou duas gotas, para molhar as asas e voar mais longe. Só uma pequena e inofensiva gota, para, num ínfimo momento estarmos em sintonia, e eu poder sentir o mesmo que tu. Mesmo estando longe de ti, vai fazer-me acreditar que estás ao meu lado.
Vou sempre estar aqui para ti. No dia em que descobrires que o mundo não é perfeito. Vou estar aqui quando cresceres. Vou estar aqui quando fizeres asneiras. Sempre. No dia em que acordares e descobrires que morri, eu vou estar a teu lado para te apanhar as lágrimas.
Amo-te, melhor amigo. parceiro do baloiço. minha vida.
Alex. "



Alexandre, mesmo em mundos separados. Mesmo estando fora do meu alcance, eu estou contigo. Hoje e sempre. Porque nunca nos limitamos pelo que era normal, sempre exploramos por onde nunca ninguém tinha tentado. O facto de estarmos em mundos diferentes não nos afastou, nem um pouco. É preciso muito mais que isso para nos derrubar.

"'Cause your presence still lingers here, and it won't leave me alone"
amo-te